Por que a pele não “cola” imediatamente após uma cirurgia?

Muitas pessoas imaginam que, depois que o cirurgião fecha um corte com pontos ou grampos, a pele simplesmente “cola” novamente. Na realidade, isto não acontece de forma instantânea. A união da pele depende de um processo biológico complexo, no qual o organismo precisa reconstruir os tecidos lesionados. Os pontos ou grampos servem apenas para manter as bordas da ferida aproximadas, funcionando como um suporte temporário enquanto o corpo realiza o verdadeiro trabalho de cicatrização (que acontece em etapas e pode levar semanas ou até meses para atingir sua resistência máxima).

Hemostasia (imediata): logo após a cirurgia, o organismo interrompe o sangramento por meio da formação de um coágulo composto por sangue e fibrina que preenche o espaço entre as bordas do corte e cria uma espécie de “ponte” inicial para o reparo.

Inflamação (1º ao 4º dia): células de defesa migram para a região operada para remover bactérias, resíduos e tecidos danificados; fase em que é comum haver vermelhidão, inchaço, calor local e desconforto leve.

Proliferação (4º ao 21º dia): o corpo começa a reconstruir o tecido. Os fibroblastos produzem colágeno, surgem novos vasos sanguíneos e forma-se um tecido de união provisório entre as bordas da ferida.

Remodelação (até 1 ano ou mais): o colágeno produzido inicialmente é reorganizado e fortalecido. A cicatriz torna-se progressivamente mais resistente, embora nunca recupere exatamente a mesma força da pele original.

(…)

Portanto, mesmo quando os pontos são retirados a cicatriz ainda está em processo de fortalecimento. Esforços físicos, exposição ao sol, tabagismo e o não cumprimento das orientações médicas podem prejudicar a cicatrização.

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